Revolta
Prefeitos da Costa Esmeralda contestam fim antecipado da pesca da tainha
Decisão do Governo Federal encerra modalidade de arrasto de praia após atingir 90% da cota prevista para a safra de 2026.
Publicado em 08/06/2026 às 11:52
A suspensão da pesca da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina provocou forte reação entre prefeitos da Costa Esmeralda. Os chefes do Executivo de Itapema, Porto Belo e Bombinhas se manifestaram contra a decisão anunciada pelo Governo Federal neste domingo (7), que determinou o encerramento da modalidade após o atingimento de 90% da cota de captura estabelecida para a safra de 2026.
A medida foi adotada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), com base na Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51/2026. Segundo o governo federal, os pescadores da modalidade alcançaram aproximadamente 1,2 mil toneladas capturadas, o equivalente a 90% do limite autorizado para a temporada.
Com a publicação da determinação, as embarcações ainda em atividade tiveram prazo de 24 horas para realizar o último desembarque.
Decisão surpreende comunidades pesqueiras
O anúncio causou surpresa em comunidades pesqueiras de todo o litoral catarinense. Tradicionalmente, a safra da tainha inicia em 1º de maio e segue até o fim de julho, período considerado o auge da passagem dos cardumes pelo estado.
Pescadores relatam que, em diversas regiões, os maiores volumes de peixe ainda eram aguardados para as próximas semanas, especialmente no litoral centro-norte catarinense.
Prefeito de Porto Belo fala em impacto para os pescadores
O prefeito de Porto Belo, Joel Lucinda, classificou a decisão como inesperada e afirmou que o encerramento da atividade ocorre justamente quando os cardumes começam a chegar à região da Costa Esmeralda.
Segundo ele, muitas embarcações ainda não haviam registrado capturas significativas quando a suspensão foi anunciada. O prefeito informou que lideranças locais já discutem alternativas e medidas para minimizar os impactos da interrupção da atividade pesqueira.
Bombinhas destaca importância econômica e cultural da pesca
Em Bombinhas, o prefeito Alexandre da Silva manifestou preocupação com os reflexos da medida para a economia local e para as famílias que dependem da atividade.
Durante pronunciamento público, ele ressaltou que a pesca artesanal da tainha representa uma tradição histórica da região e uma importante fonte de renda para dezenas de trabalhadores. O prefeito também defendeu uma revisão do sistema de cotas para as próximas temporadas, argumentando que o modelo atual precisa ser reavaliado.
Itapema cobra diálogo com os municípios
Já em Itapema, o prefeito Alexandre Xepa declarou apoio aos pescadores artesanais e criticou a forma como a decisão foi conduzida pelo Governo Federal.
Segundo ele, o encerramento da modalidade ocorreu sem diálogo prévio com os municípios e com as comunidades diretamente afetadas pela medida. O prefeito defendeu maior participação das cidades litorâneas nas discussões sobre a regulamentação da pesca da tainha.
Debate sobre cotas deve continuar
A suspensão da pesca por arrasto de praia reacende o debate sobre o sistema de cotas aplicado à safra da tainha em Santa Catarina. Enquanto o Governo Federal sustenta que a medida segue critérios técnicos para garantir a sustentabilidade da espécie, pescadores e lideranças locais questionam os impactos econômicos e culturais provocados pela interrupção antecipada da atividade.
A expectativa agora é que representantes do setor pesqueiro e autoridades municipais busquem diálogo com o governo federal para discutir possíveis ajustes nas regras que disciplinam a pesca da tainha nos próximos anos.
Fonte: Portal da Cidade Itapema
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