Mercado imobiliário
Construtoras do litoral norte trocam crédito bancário por mercado de capitais
Busca por previsibilidade financeira e recursos alinhados ao ciclo das obras impulsiona mudança no setor imobiliário catarinense.
Publicado em 17/06/2026 às 08:55
A construção civil segue como um dos principais motores da economia catarinense. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o setor gerou mais de 9,6 mil novos postos de trabalho em Santa Catarina, segundo dados do Novo Caged. No litoral norte do estado, cidades como Itapema e Camboriú concentram parte desse crescimento, impulsionado pelo avanço de novos empreendimentos residenciais e comerciais. Nos bastidores dessa expansão, uma transformação vem ganhando força: incorporadoras e construtoras estão substituindo linhas de crédito bancárias tradicionais por soluções estruturadas no mercado de capitais, em busca de maior previsibilidade financeira e de modelos mais compatíveis com o cronograma de longo prazo das obras.
Mercado de capitais ganha espaço entre empresas do setor
A tendência acompanha um movimento nacional de amadurecimento financeiro. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) apontam que o mercado de capitais brasileiro vem registrando volumes recordes de captação, ultrapassando R$ 500 bilhões em operações realizadas por empresas que buscam alternativas ao crédito bancário convencional. Segundo especialistas, uma das principais razões para essa migração está na rigidez dos financiamentos tradicionais. Indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que mais de um terço dos empresários da construção civil procura modelos de financiamento mais adequados às características do setor imobiliário.
Expansão regional reflete nova cultura de crédito
Em Camboriú, uma construtora com 14 anos de atuação ampliou significativamente sua operação após reformular sua gestão financeira e passar a utilizar fundos estruturados. Atualmente, a empresa desenvolve cerca de 80 mil metros quadrados em empreendimentos na região. De acordo com o diretor financeiro Ramon Geremias, a previsibilidade proporcionada por esse modelo de captação é fundamental para manter a saúde operacional dos negócios.
“O fluxo de caixa na construção funciona com oscilações naturais entre entradas e saídas ao longo do ciclo das obras. Contar com um parceiro que compreenda essa dinâmica imobiliária e ofereça segurança nas operações é o que sustenta o crescimento sem comprometer a saúde operacional”, afirma.
Fundos estruturados oferecem previsibilidade ao setor
Entre os instrumentos mais utilizados estão os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que permitem antecipar valores que as empresas têm a receber no futuro. A modalidade tem atraído construtoras que buscam recursos alinhados ao cronograma físico e financeiro dos empreendimentos.
Em Itapema, a SP CAPITAL acompanha de perto esse movimento. A empresa, especializada em operações estruturadas para diferentes segmentos econômicos, já destinou mais de R$ 500 milhões para projetos ligados à construção civil e infraestrutura em Santa Catarina. Em 2025, ultrapassou R$ 1 bilhão em operações e projeta alcançar R$ 2,4 bilhões neste ano. Segundo o diretor-presidente da empresa, Luís Carlos Schneider, a proposta vai além da oferta de recursos financeiros.
“Não entregamos apenas capital. Entregamos uma estrutura que entende o ciclo da construção. Isso garante ao empresário a previsibilidade necessária para focar na execução da obra e no cumprimento dos prazos”, destaca.
Governança passa a ser diferencial competitivo
Para o economista e professor do curso de Relações Internacionais da Univali, Daniel da Cunda Corrêa da Silva, o acesso ao mercado de capitais também representa um indicativo de maturidade empresarial. Segundo ele, esse tipo de operação exige elevados padrões de governança, transparência e compliance, além de uma gestão financeira mais estruturada.
“O mercado de capitais é bastante seletivo. Ele exige certificações, diretrizes de compliance e ajustes na gestão financeira e operacional. Além disso, permite captar recursos de investidores externos, tornando-se uma alternativa mais dinâmica e adequada ao ciclo longo das obras”, avalia.
Reflexos vão além dos canteiros de obras
Especialistas apontam que a adoção de modelos financeiros mais previsíveis ajuda a garantir a continuidade dos empreendimentos e contribui para a estabilidade econômica regional.
Fonte: Portal da Cidade Itapema
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