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Setembro Amarelo

Desafio dos 15 dias: 8 hábitos simples para cuidar da saúde mental

No Papo de Especialista, o psicólogo Ayron Pontes convida você a experimentar por 15 dias 8 hábitos simples para cuidar melhor da saúde mental.

Publicado em 24/09/2026 às 12:00
Atualizado em

Ayron Pontes, psicólogo especialista em Neuromodulação

Setembro Amarelo: a importância de cuidar da saúde mental no dia a dia

Setembro chega pintado de amarelo, e com ele um convite que deveria valer o ano inteiro: falar sobre saúde mental. Os números justificam a urgência — a OMS estima cerca de 727 mil mortes por suicídio por ano no mundo, e no Brasil o Ministério da Saúde registra aproximadamente 15,5 mil mortes anuais. Mas o que eu quero conversar com você hoje não é só sobre estatísticas. É sobre algo mais simples e mais poderoso: o cuidado diário que previne antes que a crise aconteça.

Mas primeiro, o que saúde mental não é

Antes de falar do que fazer, vale desfazer um mal-entendido. Saúde mental não é ausência de sofrimento, ou de problemas — quem espera uma vida sem problemas vai se frustrar. Também não é estar feliz o tempo todo: tristeza, ansiedade e irritação fazem parte do repertório humano, e senti-las não é fracasso.

Saúde mental não é "pensar positivo", nem força de vontade. Essa é a armadilha mais comum: tratar sofrimento emocional como falta de esforço. Na prática clínica, vejo diariamente pessoas que se cobram por "não conseguirem sair da bad", como se a mente funcionasse por um simples comando. Não funciona. E há um detalhe importante: você pode não ter um transtorno diagnosticável e ainda assim estar sofrendo — assim como pode ter um diagnóstico e continuar tendo uma vida boa. Saúde mental é sobre funcionar, se relacionar e se sentir razoavelmente bem consigo mesmo e com o ambiente, mesmo com os altos e baixos.

Por que cuidar todo dia?

Ninguém deveria esperar ter um infarto para começar a se cuidar e se exercitar. Com a mente é igual: cuidar só quando a crise aperta é caro, demorado e doloroso. O cuidado preventivo diário é o que dá estrutura para os dias difíceis — e muitas vezes ele é muito mais simples do que parece.

Hábitos pequenos, efeito real. Vale a pena experimentar por 15 dias:

  • Proteger o sono. É a base de tudo. Horário regular para dormir e acordar regula humor, atenção e impulsividade. Sem sono, qualquer estratégia desanda.
  • Mexer o corpo, sem heroísmo. Quinze minutos de caminhada já mudam o estado mental. Não precisa de academia nem de maratona.
  • Tomar sol e respirar ar livre. Parece banal, mas luz natural regula o relógio biológico e o humor.
  • Criar limites digitais. Reduzir notificações e comparação nas redes. O cérebro agradece.
  • Conectar-se de verdade. Uma conversa presencial de 20 minutos vale mais que horas de mensagens.
  • Nomear o que sente. Colocar em palavras ("estou sobrecarregado", "estou triste") reduz a intensidade da emoção. É ciência, e não autoajuda.
  • Fazer micro-pausas. Três minutos de respiração lenta entre tarefas resetam o sistema nervoso.
  • Pedir ajuda cedo. Assim como ir ao dentista antes da dor, procurar psicoterapia no início do sofrimento é inteligência, não fraqueza.

Um ponto importante a reforçar: dificuldade de executar não é defeito de caráter. Muitas vezes é cansaço, sobrecarga ou um cérebro que precisa de estrutura — e isso se ajusta com hábitos, não com autocrítica.

Quando buscar ajuda profissional

Se o sofrimento persiste por semanas, afeta sono, trabalho, relações, ou se surgem pensamentos de morte, a hora de pedir ajuda é agora. O CVV atende pelo 188, gratuitamente, 24 horas; CAPS e Unidades Básicas de Saúde também acolhem, em caso de emergência o SAMU 192 deve ser acionado.

Setembro Amarelo existe para lembrar que pedir ajuda é um ato de coragem. Cuidar da mente todo dia é o jeito mais simples de honrar essa coragem — um hábito de cada vez constrói base sólida de saúde mental.

Sobre o especialista

Ayron Pontes é psicólogo, especialista em Neuromodulação, com atuação voltada a estresse, ansiedade, qualidade de vida e produtividade sustentável. Em Itapema, atua na NeuroSync, onde desenvolve seu trabalho na área de saúde mental.

Instagram: @neurosync_psicologia

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Fonte: Ayron Pontes - Psicólogo especialista em Neuromodulação

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