CONSTRUÇÃO CIVIL
ACIP emite nota de repúdio ao reajuste de preços dos insumos anunciado pela indústria
Entidade considera abusivo aumento de até 30% e articula ação conjunta com sindicatos e empresários para barrar reajustes no setor da construção civil.
Publicado em 15/04/2026 às 13:53
A Associação das Construtoras e Incorporadoras de Porto Belo (ACIP) anunciou que está tomando providências em relação ao reajuste de preços dos insums anunciados pela indústria e por fornecedores. Além de emitir nota repudiando o aumento que considera abusivo, a Associação se uniu a outras entidades para buscar medidas para impedir o reajuste.
No dia 30 de março de 2026, foi realizada reunião emergencial com a participação dos Sindicatos das Indústrias da Construção Civil (SINDUSCONs) de Balneário Camboriú, Itajaí, Itapema e Porto Belo, bem como de empresários do setor, para tratar do tema.
De acordo com o entendimento da ACIP, causa extrema preocupação a sinalização de aumentos generalizados entre 20% e 30%, especialmente quando justificados de forma genérica por possíveis reflexos econômicos decorrentes de instabilidades geopolíticas e de supostas elevações nos custos de matérias-primas e combustíveis.
No entanto, recentemente foram anunciadas medidas voltadas à redução do custo do diesel, com impacto estimado em R$ 1,20, o que deveria contribuir para a contenção de custos logísticos, e não para a legitimação de aumentos generalizados e imediatos.
“A entidade entende que reajustes dessa magnitude, anunciados de forma abrupta e sem demonstração objetiva, concreta e individualizada da efetiva elevação dos custos, revelam postura desarrazoada e incompatível com a boa-fé e o equilíbrio que devem nortear as relações comerciais entre os agentes da cadeia produtiva da construção civil”, destaca a nota.
Além disso, a ACIP ressalta que a construção civil não possui condições de absorver ou repassar imediatamente aumentos dessa natureza, pois os contratos firmados pelas construtoras e incorporadoras são, em sua maioria, corrigidos por índices como o CUB/SC e o INCC, cujos efeitos ocorrem gradualmente e não acompanham, de forma instantânea, majorações abruptas impostas pelos fornecedores.
Outro fator que gera preocupação, segundo a ACIP, é o atual cenário de desaceleração do mercado, com retração das vendas e forte impacto da política de juros sobre a atividade imobiliária, circunstâncias que exigem cautela, responsabilidade e racionalidade por parte de toda a cadeia de fornecimento.
A construção civil é setor essencial para a economia regional, responsável pela geração de empregos, circulação de renda, viabilização de moradias e implantação de estruturas destinadas às atividades produtivas.
“Por isso, não se pode admitir que decisões unilaterais, precipitadas e dissociadas da realidade do mercado imponham desequilíbrio a toda a cadeia. Sendo assim, a ACIP manifesta seu firme repúdio ao reajuste pretendido pela indústria e pelos fornecedores de insumos, nos moldes em que anunciado, por entendê-lo abusivo, desproporcional, inoportuno e prejudicial à sustentabilidade do setor da construção civil”, enfatiza Maycol Marini, presidente da ACIP.
Por fim, a ACIP alerta os fornecedores que esta atitude pode criar um apagão de aquisição de insumos momentâneo, tendo em vista a falta de clareza e justificativa coesa para o suposto "aumento/reajuste" e reforça que é fundamental a união do setor em prol da lisura e desenvolvimento financeiro ordenado e justificado.
Fonte: Portal da Cidade Itapema
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